11. O Buddhismo fala que o mundo é uma ilusão?
12. A "modern" view of reincarnation (este tópico está em inglês pois foi escrito para outra lista e ainda não o traduzi, sorry!) - some dialogue with other Buddhists.
13. Nirvana é a morte?
14. What can the laypeople do regarding faulty monks? (infelizmente outro string em inglês)
15. O que fazer quando se está só?
16. Renascimento X Reencarnação
17. Comentários de passagens do livro "A Arte da Cura no Budismo Tibetano" de Terry Clifford (o assunto principal comentado aqui refere-se aos termos Hinayana e Mahayana)
18. Qual o significado do número 108 no Buddhismo?
19. O Buddhismo é contra todos os tipos de desejo?
20. Os ensinamentos de Buda são apenas uma orientação básica e um lembrete da possibilidade de iluminação de todos os seres?
Perguntas e respostas I

Perguntas e respostas III

11. O Buddhismo fala que o mundo é uma ilusão?
Que tudo seja subjetivo (produzido pela mente) é um assunto controverso, mesmo dentro dos estudos buddhistas atuais, e é duvidoso que o Buddha tenha afirmado que *tudo* seja produção mental. A escola que mais se aproximaria de uma tal afirmação é a Vij~nanavaada, que afirmaria, segundo alguns, que tudo é "consciência", incentivando um pto de vista idealista portanto. Mas é justamente aqui que há muitas controvérsias, pois outra vertente é a de interpretar os ensinamentos desta escola como sendo de que todas as percepções que temos das coisas são meras concepções (produções mentais - vij~nana), o que é muito diferente de negar a existência do mundo "lá fora".

O 1º e 2º verso do Dhammapada diz o seguinte:

A mente é precursora de todas as coisas.
Lideradas pela mente, fabricadas pela mente.
Se alguém fala ou age com uma mente maléfica,
o sofrimento o segue,
como a roda segue as pegadas do animal
que puxa a carroça. (Dhammapada, verso 1)

Fica mais claro que a intenção aqui é realçar a intenção na mente como o fator principal na produção de estados maléficos (não saudáveis) e não como algum tipo de afirmação ontológica.
Fabricadas pela mente no pali é mano mayaa, tendo um sentido de que as coisas são manipuladas, feitas pela mente. Mas "mayaa" não tem relação com o "Maayaa" no sânscrito da tradição hindu. O contexto deixa claro que é uma afirmação na ordem moral, não ontológica.

12. A "modern" view of reincarnation (este tópico está em inglês pois foi escrito para outra lista e ainda não o traduzi, sorry!) - some dialogue with other Buddhists.
Don't know why :), but I always feel sort of disconfortable with those supposed proofs of rebirth, or the way rebirth is seen nowadays by Buddhists (in Theravada in particular). The main reason, I think, is that I generally can come with a half dozen alternate explanations for those cases. In general, it seems that the way rebirth is seen today, with those cases started by Ian Stevenson (so much appreciated by Theravadins, monks and lay people alike - I came to know personally Ven. Upali, when staying at Sri Lanka and his talks about this boy who can recite Pali texts), is very close to what is called metempsychosis in ancient Greece, meaning a transference of psiquic material to another life, much in the same way that bodily materials are also transferred to other life forms after it gets decomposed (It's called metemsomatosis, or something like that, in Greek). Well, I have a *strong* suspicion that metempsychosis is very far from what the Buddha meant by rebirth, which is related mainly with the kamma process and not merely transferrence of psychic impressions (metempsicosis is a sort of psychic hereditarity, not necessarily related with blood relations). So these are some thoughts.

Reply of a friend: There may be several theories that attempt to explain memories of past life: metempsychosis, common memory, etc. But the basis of such theories seem more bizarre than the simple theory of rebirth. I find it hard to understand that people may have so much faith in the buddha and his teachings but choose to deny his very explicit teaching on rebirth, (which I think is fundamental ). On the other hand, theories, which I think would have much less creditability, seem to be given disproportionate consideration.

My reply: Metempsycosis was widespread believed through many ancient cultures and consists simply in saying the psychic elements are transmissible, much the same way bodily elements are also re-integrated into other bodies. So when you die your body is eaten by numerous little things becoming part of them. In their turn they will also become part (re-integrated) in other bodies. The same would happen with psychic components of our mind. I really don't see it any more *bizarre*, as you put it, than the karma theory, where actions done in the past end up bearing fruits in subsequent lives. Common memory, in its turn, has some similarities with alaya vijnana type of consciousness believed widespreadly in mahayana. I'm not an expert in mahayana, and certainly there are many ways of understanding "common memory", but again I can't see it being *bizarre*, as the millions of mahayanists also agreed and believed in the alaya vijnana in one way or another. BTW, some scholars even suggest some affinity to bhavanga of Pali commentaries.

I find it hard to understand that people may have so much faith in the buddha and his teachings but choose to deny his very explicit teaching on rebirth, (which I think is fundamental ). On the other hand, theories, which I think would have much less creditability, seem to be given disproportionate consideration.

I think I got misunderstood here. I didn't deny or have arisen any doubt about rebirth in my original post (nor could I, since so much exists in the Pali Canon). What I did put in question was that perhaps the way rebirth is understood nowadays might not fit those same statements in the Canon. And the *proofs* some people want to believed as doubtless proofs to rebirth can much be due to other reasons. Let's exercise Kalama Sutta! So, expanding my original post, what is kamma-vipaka in the end? Is it results coming from intentional action or is it merely transmission of personality/memory caracteristics of one person to *another*?

13. Nirvana é a morte?
O tema da morte é realmente complexo, e se o associarmos ao conceito do nirvaa.na fica ainda mais.Durante muito tempo o nirvaa.na foi considerado como uma apologia à morte, o que contribuiu para a imagem do Buddhismo como uma doutrina pessimista. Temos aqui um mero caso, entre muitos, de incompreensão doutrinal. Nirvaa.na, sim, significa extinção, mas não extinção da vida. O Ocidente não está acostumado a ver termos negativos sendo usados positivamente e, daí, sua primeira reação é a de interpretar inversamente. No Hinduísmo é frequente a expressão "Brahma nirvaana.m" significando "extinção em Brahma", que poderíamos traduzir como extinção em Deus. Nada há de negativo aqui. Igualmente no Buddhismo, nirvaa.na é utilizado como extinção da cobiça, ódio e ignorância, elementos que prendem o homem à roda do sa.msaara. Aliás, se não fosse assim, como se explicaria que o Buddha e seus vários discípulos atingiram o nirvaa.na e continuaram vivos? E inércia, enquanto a tendência que todos os corpos têm de continuar em movimento por algum tempo, mesmo sem nenhuma força sendo exercida sobre eles, (lembremos de nossas aulas de física, aquele carrinho descendo a rampa de madeira, incapaz de fazer outra coisa senão cair...) não me parece ser uma aproximação muito feliz para o que o Buddha fez durante 45 anos após seu atingimento do nirvaa.na :)

14. What can the laypeople do regarding faulty monks? (infelizmente outro string em inglês)
The situation in Sri Lanka is really lamentable. But is not much different to many Buddhist countries. Japan as far as I know is not too far away. I don't quite agree with ... in measures so light against the faulty monks. Unhapply at present I have no time to look for but I read in the canon somewhere (my memory says somewhere in the Majjhima or perhaps the Anguttara) the censures the laypeople could do to the monks according to the Buddha. Maybe someone can find it. The laypeople have all the rights to censure monks if they do not keep the minimun stardarts. It's in the scriptures even if the monkhood may not like to emphasize it. Besides, the argument of ... about the Buddha encourging the laypeople to support ascetics whose views differ from the Dhamma, does not hold, because those ascetics kept a level of morality. To have a different view, or wrong view about doctrine does not mean their morality is bad. Nowhere in the scriptures I remember the Buddha supporting the view of sustaining degradating monks. As he said: "when depraved monks are strong, well-conducted monks are weak...This is to the loss of many folk, to the discomfort of many folk, to the loss, discomfort and sorrow of devas and mankind" (A.i.69)
Whether or not the receiver make good use of what they receive, or whether or not they're grateful, is immaterial to the giver.

I don't remember the quality of the receiver being "immaterial" to the giver. The teaching in the scriptures is quite the opposite. I can remember many instances like one where two people gave the same thing to two different people and got reborn in different realms because of the quality of the receiver. It's always worthwhile to remind the importance of the lay people also taking an active part in the maintanance of Dhamma in the world. Let's support the noble, sincere and dhamma-keeping monks, and let's do our own work too!

15. O que fazer quando se está só?
Uma das dificuldades para aqueles que iniciam estudos no buddhismo é a situação de se encontrar só, tendo que estudar somente por meio de livros, sem ninguém para conversar. Mesmo qdo se tem um grupo muitas vezes a prática pessoal acaba caindo numa monotonia por falta de estímulos. Para isso, uma das melhores soluções é a de encontrar um centro buddhista perto de você ou um grupo de estudos e prática. É importante este contato, trocar idéias, praticar junto. Mas, e se não existe nada em sua cidade? Bem, porque não iniciar um pequeno grupo? Sem pompa, nem circunstância, entre em contato com amigos que possam ter interesses similares. Pegue um bom livro como guia, leiam cada capítulo e discutam. Alguns tem instruções básicas de meditação que podem começar a ser praticadas. Use também Buddhismo-L para esclarecer suas dúvidas, integre-o na sua prática. Quando ficar sabendo de algum retiro, esforce-se por ir, não importando qual tradição. Para quem está começando isto não é tão importante. Há muitas formas de começar e todas são melhores do que estudar sozinho. Estas são algumas idéias, alguém tem mais sugestões?

É importante lembrar que um dos motivos de ser difícil levar a prática buddhista adiante, é o mesmo de porque no Brasil praticamente tudo ser difícil. Isto pode ser sintetizado numa palavra: Iniciativa. Ou melhor, falta dela. Notemos como mesmo uma lista de discussão funciona, em qualquer lugar do mundo. Todos já notaram que em qualquer lista (de não importa que tema) sempre há muitos inscritos, mas apenas alguns participam. Já notaram isto? Afetuosamente os *observadores* são chamados de corujas :) Queremos ouvir, ler, aprender. Ótimo. Mas o outro lado da moeda é compartilhar, colaborar, discutir. Por favor, os *corujas* não tomem isso em nenhum sentido negativo! Isso é apenas uma reflexão pessoal de alguém que já viu muitos grupos, muitas listas, projetos, etc. Reparemos como lidamos qdo fazemos cursos. A maioria senta-se no fundo, escutando. Poucos são os que fazem perguntas, comentários, sugestões. Sentar-se na frente é até considerado ruim por alguns (não é curioso que cdf's que querem de fato aprender sejam ridicularizados por seus colegas?) O que isso tem a ver com o tema? Bem, se você quer sair do lugar é preciso se mover, iniciar. Esperar alguém mandar um texto, fundar um grupo, esperar o excelso buddhismo instalar um centro na casa da esquina não vai adiantar. Acredite: com 90 anos, você ainda vai estar esperando... É preciso sair da dependência do outro. O outro é importante. Para compartilhar, ajudar, colaborar. Mas não para fazer o trabalho que é de cada um. Por mais duro que seja reconhecer, o caminho não é para os tímidos. Como diz Chogyam Trungpa: o caminho é para os guerreiros espirituais. Se o Buddha estivesse pregando na pracinha ao lado, não iríamos visitá-lo por timidez??? Não há livros? (concordo que são caros) Vá na biblioteca, peça emprestado, divida com amigos. Tem acesso à www? Então há milhares de textos e materiais disponíveis. Ah, mas a maioria é em inglês... Ora, aprendamos! Você vai morrer antes de traduzirem aquele livro que pode ser fundamental para o seu caminho. Não entendeu algo, pergunte para quem vc considere que saiba um pouco mais que vc. Não tem ninguém assim em sua cidade? Para que servem cartas e email? Faça anotações, resumos, releia, converse com outros. No Cristianimo há um livro chamado "A Imitação de Cristo". O Buddha exemplificou o árduo trabalho de busca por anos sem descanso. E após o Despertar trabalhou por 45 anos ajudando os seres a acordar. Não se poderia esperar nada menos de quem deseja segui-lo.

16. Renascimento X Reencarnação
Esta questão pode ser muito longa. Acho difícil entender como estas duas concepções acabaram sendo confundidas. Ou melhor, deveria dizer que é fácil saber, desde que se amplie nosso horizonte histórico e voltemos para o século dezenove na Europa. É devido ao ocultismo da época que, querendo estabelecer uma ponte entre o oriente e doutrinas nascentes do ocidente (lembremos que o espiritismo surgiu no s. XIX) foi o responsável primeiro por esta confusão. Depois disso, virou aquela estória da repetição. Em todos os campos, inclusive científicos, os primeiros trabalhos muitas vezes dão a tônica dos desenvolvimentos futuros. Assim, escreve-se um livro onde se diz que a=b, e o segundo livro cita o primeiro, e o terceiro cita o segundo, e depois de um tempo a=b já virou verdade universal, ou pelo menos, popular. Só para começar o assunto, tomando como estabelecido que todos já leram nosso artigo sobre reencarnação em nossa HP, podemos estabelecer o seguinte:

Reencarnação Espírita » pressupõe a evolução espiritual infinita
Renascimento Buddhista » é totalmente contrário a isto
Reencarnação Espírita » pressupõe uma alma imutável que passa de corpo p/ corpo
Renascimento Buddhista » nenhuma alma é passada ou vai para lugar algum.

Mas o assunto é ainda mais difícil de ser discutido porque não temos uma noção clara sobre os próprios termos que são usados. Um exemplo frequente que dou em aulas é o de que raros são os que fazem alguma diferença entre alma e espírito nos dias atuais, mas que antigamente eram dois termos nitidamente se referindo a categorias diferentes. O não-conhecimento leva ao uso de expressões como alma do outro mundo, espírito maligno, espírito imortal, meu espírito, o espírito, e assim por diante. Isso ocorre com um sem número de palavras. Exemplo: frequentemente se fala que o Buddhismo não acredita num eu. Mas o que é isso? Eu não sou eu??? A falta de uma concordância prévia nas definições e palavras que usamos faz com que tudo acabe parecendo um absurdo. Lemos um koan zen falando que um mestre colocou fogo num templo, e tomamos a metáfora como real, saindo à procura de um templo para ser queimado (o exemplo não é fictício, é mais real do que pensam). Assim, usamos em nosso dia a dia palavras como evolução, alma, reencarnação, etc., mas nem paramos para pensar o que significam para nós, para não dizer o que significavam para aqueles que as usaram.

17. Comentários de passagens do livro "A Arte da Cura no Budismo Tibetano" de Terry Clifford (o assunto principal comentado aqui refere-se aos termos Hinayana e Mahayana)
Estes são alguns comentários a algumas passagens que parecem constar do livro "A Arte da Cura no Budismo Tibetano" de Terry Clifford, Ed. Pensamento)
No Budismo mahayana e vajrayana, que são as escolas de Budismo fundadas no Tibet, o conceito de estado de Buda vai além da figura do histórico Buda Shakyamuni, que viveu na Índia há mais de dois milênios e meio.

Não, o buddhismo, nem mahayana nem vajrayana, foram fundados no Tibet. Ambos são indianos em sua origem e principal desenvolvimento.

Não obstante, a figura histórica do Buda Gautama ou Buda Sakyamuni é compreendida como o Buda que surgiu para o nosso tempo e o nosso universo. É o quarto Buda de uma linhagem de mil que ainda aparecerão. O primeiro Buda foi Dipankara e o próximo será Maitreya, o "Buda do Amor".

Esta cronologia está um pouco confusa e seria interessante checar as fontes do autor para esta afirmação. Primeiro é preciso estar consciente de que há várias cronologias de Buddhas e deve-se ter cuidado para não confundi-las. A doutrina de mil Buddhas refere-se ao seu aparecimento durante um grande ciclo (mahaa kalpa). Neste ciclo em que vivemos (bhadra-kalpa), 4 já apareceram e Sakyamuni, como diz o autor, foi o quarto. Mas o primeiro foi Kakusandha (skr. Krakucchanda). Diipankara é o primeiro de outra cronologia, a dos 24 Buddhas. Nesta, Kakusandha é o vigésimo-segundo e Sakyamuni o vigésimo-quinto. As coisas já são suficientemente complexas para não sermos confundidos ainda mais, não?

O Budismo divide-se, principalmente, em Hinayana )ao pé da letra, o "veículo comum") e Mahayana (o "veículo maior"). O Vajrayana (o "veículo diamantino") é um desdobramento subseqüente do Mahayana esurgiu conjuntamente ao desenvolvimento do tantra. O Budismo no Tibet, na realidade, é uma combinação dos três veículos.

Ao "pé da letra", hiinayaana significa veículo pequeno ou baixo e por isso não há nenhuma escola que o aceite para si. Há aqui os resquícios de disputas regionais do começo do milênio (em torno do ano 0) que infelizmente se estendem até hoje por incompreensão e distância geográfica. Hiinayaana foi o nome dado por alguns do movimento Mahaayaana para designar algumas escolas que os antecederam. E aqui vai um esclarecimento: Após o segundo concílio (cerca de 100 anos após a morte do Buddha, a Sangha monástica original passou por um processo de sucessiva divisão até chegar a aproximadamente 18 escolas diferentes. Elas se espalharam tanto em doutrina qto em território, até que, séculos mais tarde, por volta do ano 0, uma nova abordagem doutrinal começou a surgir. Infelizmente, *alguns* dos mais empolgados por esta nova forma começaram a escarnecer de tudo que os antecederam como inferior e se autovangloriarem a si mesmos. Até que pto tinham razão, está fora de questão aqui (o espaço é curto para escrever história), mas o fato é que o Theravaada, uma das 18 escolas antigas nem mesmo estava presente na região onde estes mais empolgados começaram a se comparar com outros (lembremos que maana - a auto-comparação - é um dos grilhões que aprisionam os seres). O Theravaada estava já no Sri Lanka e muito provavelmente foram escolas como o Sarvastivaada que alguns do novo movimento mahaayaana se referiam. Daí que chamar o Theravaada de Hiinayaana não só é pejorativo, mas também ignorância histórica.

O caminho Hinayana, também chamado Theravadin ou "o caminho dos mais velhos", é uma continuação do Budismo primitivo. Enfatiza a renúncia, a pureza ascética e a meditação sobre a atenção. Tem por conceito central a impermanência. Apoia-se nos ensinamentos do próprio Buda, enfeixados numa coleção tríplice denominada Tripitaka, os "três cestos", relacionadas com o adestramento triplo. Estes incluem o Vinaya (moral - regras de disciplina), os Sutras (meditação - os sermões de Buda postos por escrito depois de sua morte) e o Abhidharma (sabedoria - a doutrina baseada na análise dos dados da experiência).

Deve-se estar claro que tecnicamente nem mahaayaana nem vajrayaana são "escolas", na mesma forma que o Theravaada é uma escola. Não há como compará-los. Como seu nome diz, eles são yaanas e não vaadas, isto é, são veículos, ou como eu gosto de dizer, são movimentos que independem de qual "escola". Eu posso estudar na USP e ser comunista e outro estudar na PUC e ser fascista. Entendem a diferença? Escola é diferente de filiação filosófica. Zen, Gelug, Nyingma, Terra Pura são escolas, e em suas fileiras podemos encontrar inúmeros hiinayaanistas :)

Impermanência não é um conceito central do Theravaada, mas de todas as escolas buddhistas.

O ideal espiritual do Hinayana é alcançar a liberação para si mesmo. Está encerrado na figura do arhat, que atinge a tranqüilidade do nirvana e se exime dos cursos de nascimento e da morte, o que, todavia, não supõe um completo estado de Buda mas, antes, um estado de santidade.

Hehe, isso sempre é engraçado de se ouvir. A base do Theravaada e do atingimento do estado de arahat é anattaa (o não-eu). Não-eu significa justamente não fazer a distinção entre eu e o outro. E aí vem alguém falar que o arahant busca a libertação para si mesmo! Na realidade há uma grande quantidade de palavras que foram mudadas de sentido pelas escolas do Mahaayaana. Palavras como arahant, buddha, bodhisattva, nibbaana (skr. nirvaa.na) não tem o mesmo significado técnico nas escolas antigas (e portanto no Canon original) e nas obras mahaayaana. Isto é fonte de mil desentendimentos entre os dois. Tenham cuidado e saibam que tipo de livro ou obra estão lendo ou escutando algo.

O ideal espiritual do Mahayana é alcançar a iluminação por amor aos outros seres. Está encerrado no conceito de bodhisatva, que por amor a todos os seres, que tanto podem ser minúsculos insetos como imperadores, jura adiar o seu próprio ingresso no nirvana a fim de continuar no mundo para libertar do sofrimento os demais seres. O voto e o ideal do bodhisatva é o caminho do amor.

Seria difícil aqui - porque seria longo - falar de tudo o que implica o termo bodhisattva verdadeiramente. É dito que o bodhisattva (que nada tem a ver o o bodhisattva da literatura Theravaada) recusa entrar no nirvaa.na (que nada tem a ver com o similar na lit. Theravaada) até que todos os seres estejam libertos. Pto 1: Se todos, ou pelo menos a grande maioria, se tornarem bodhisattvas (como é o desejo do Mahaayaana) então ninguém vai se libertar porque cada um vai esperar o outro sair :D. Lembram da situação de duas pessoas esbarrarem-se numa porta e ambas serem muito educadas? Pto 2: desde que o sa.msaara é indefinido, demorará indefinidamente para cada bodhisattva terminar seu trabalho! Tomem as estórias de bodhisattva no mahaayaana como um koan, mas não levem muito ao pé da letra.

O caminho do bodhisatva consiste em desenvolver a sabedoria pelo reconhecimento do vazio do eu e dos outros e em gerar o amor e a compaixão ativos como expressão desta sabedoria. O Mahayana baseia-se no despertar do "pensamento da iluminação", o bodhicitta,a aspiração à perfeição por amor a todos os seres, já que se diz que o estado de Buda, a iluminação plena, existe inerentemente a todos os seres sencientes, masé obscurecido pelas suas corrupções.

O bodhisattvayaana não é ausente do Theravaada, assim como a aspiração de se tornar Buddha. Apenas que esta é uma possibilidade tão remota que o caminho do arahant é simplemeste mais lógico de ser seguido. Novamente, o theravaada toma a palavra Buddha de forma bem estrita e técnica, enquanto para alguns que seguem escolas mahaayaana o termo é usado de forma bem (eu digo, BEM) ampla e genérica. Todos desejarem ser Buddhas é uma ficção poética, delírio megalomaníaco ou sincera fonte de motivação no caminho espiritual próprio (qual dos três depende de quem afirma isso), mas não algo baseado na tradição buddhista nem nas palavras do Buddha. Façamos as contas: 1000 Buddhas em cada mahaa kalpa. Qualquer um que já tenha lido o quanto é 1 kalpa pode imaginar que as chances de todos os seres chegarem a ser Buddhas (no sentido técnico do termo) são infinitamente remotas. Tornar-se Buddha é uma metáfora, mas não pode ser tomado ao pé da letra. É por isso que o ideal enfatizado é sempre do arahant ou do boddhisattva, e raramente o buddhayaana.

18. Qual o significado do número 108 no Buddhismo?
Para o Buddhismo há seis sentidos [sa.laayatana], os cinco comuns mais a mente. O contato [phassa] com seus objetos respectivos causam sensações [vedanaa], portanto há seis sensações possíveis. Tomem as seis sensações e considerem que podem ser de três naturezas possíveis: agradável [somanassa], desagradável [domanassa] ou neutra [upekkha]. Temos dezoito sensações então. Como podem estar ligadas ou não ao prazer corporal (ou seja ter ruupa ou não como condição de sukha ou dukkha físicos), temos trinta e seis tipos de sentimentos básicos, os quais podem estar relacionados ao presente [paccuppanna], ao passado [atiita] ou ao futuro [anaagata]. Trinta e seis vezes três = façam a conta. É um método simples do Abhidhamma para a meditação. Consciência clara com relação a todas as possíveis sensações e reações que delas surgem. Boa meditação!

19. O Buddhismo é contra todos os tipos de desejo?
Grande parte de todos os mal entendidos a esse respeito decorre da falta de conhecimento dos termos no original e a falta de livros claros a respeito. O 'desejo' a que o Buddha se refere como a origem do sofrimento é 'ta.nhaa', mais propriamente traduzido como 'sede do desejo'. Nos suttas Ele é muito específico a respeito e é bastante claro que Ele não vai contra ao que o que alguns chamam de 'vontade', ou o desejo saudável. Este nunca é expresso pela palavra 'ta.nhaa', mas sim alternativamente como chanda, dhammachanda, pattheti, assaasa, etc. Como quem escreve livros sobre Buddhismo geralmente não conhece nenhuma língua original, qdo lêem sobre a extinção do desejo pensam que tudo se inclui aí.

20. Os ensinamentos de Buda são apenas uma orientação básica e um lembrete da possibilidade de iluminação de todos os seres?
Os ensinamentos do Buddha, tal como os temos atualmente, podem ser ditos serem mais que mero lembrete da possibilidade de iluminação. Eles apresentam um organizado e claro método de libertação destinado às pessoas que o queiram seguir. Eles vão também além de uma orientação 'básica', como toda a literatura buddhista é uma prova a respeito. É claro que se formos basear nosso julgamento a uns poucos livros traduzidos no Brasil, nossa impressão será de ser básica mesmo.





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