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Magia e Sexo: presentes dos Deuses

 

"Por toda história registrada do mundo e de suas religiões, o poder do sexo sempre foi uma força motivadora, mesmo quando não reconhecida como tal. Ele foi elevado às alturas e atirado às profundezas mais abjetas da humanidade, mas nunca deixou de ser, por si mesmo, o dom supremo do Criador". (1)

       Em Stregheria ou ramificações de Bruxaria Tradicional e Hereditária falamos bastante e cultuamos com muita freqüência os nossos ancestrais. É lindo podermos olhar para fotos antigas e sentir as mãos daqueles que já foram em nossos ombros, olhando por nós e abençoando nossos passos. No entanto, geralmente pensamos neles como Espíritos, Guias, Deuses, Lares ou qualquer outra denominação que nos agrade - o imagético fica sobre uma forma etérea. Este mês resolvi pensar neles de uma forma mais humana, mais carnal e quente. Se não fosse a sexualidade de nossos ancestrais, não estaríamos aqui. Então, os convido a explorar os hábitos sexuais dos gregos e romanos e suas implicações devocionais.

       Primeiramente, gostaria de colocar que o trabalho de magia/religião e sexo é tão antigo quanto a humanidade. Os orientais perceberam isso e conceberam diversas formas de explorar mais uma expressão divina: a da Criação. Com o tempo, os europeus começaram a ver diferentes formas de canalizar essas energias. Os resultados disso se mostram nas diversas culturas: dos fenícios aos celtas da Bretanha. Acredito ser muito interessante - e saudável - enxergar o sexo como um presente, um instrumento à nossa disposição. Porém, como uma faca que nos ajuda a preparar alimentos ou nos defender de inimigos ele pode ser o nosso carrasco. Sexo é um uma arma forte e destrutiva: de mentes e corações. Ele demanda de muita energia e muito desprendimento, além da intimidade. Quando aliamos sexo à magia e ao culto ao divino, todas as possibilidades aumentam exponencialmente. Logo, penso que sexo, magia e ética - ou no mínimo, acordos - são companheiros inseparáveis para a sanidade dos magistas.

       Na Grécia, o sexo podia ser ambíguo. Havia ritos de castração e sacrifício de rapazes nos Mistérios da Samatrácia. Também poderia ser visto como uma dádiva divina, exaltado em diferentes rituais como os de Pã e Priapo. O fato é que a mitologia e os costumes gregos estavam impregnados por envolvimentos sexuais. Zeus certamente foi um dos deuses mais notáveis neste campo. Pai de diversos deuses e semideuses, ele pode ser entendido como uma força masculina fertilizadora; uma chuva que caia sobre a Terra a fim de fazer com crescesse e aflorasse. Uma forma de mostrar a fertilidade espiritual - pois era o grande Deus - e material, uma vez que seus filhos eram parte da Criação física. Além disso, mostra um forte aspecto da cultura grega: a conquista sobre outros povos. As mulheres, humanas ou deusas, fertilizadas pelo deus são uma representação das nações que os gregos dominaram. Outros deuses também podem nos dar símbolos das visões do sexo. Vale pensarmos em Dionísio, deus da embriaguez e do vinho. Suas festas e ritos tomaram a Grécia e Roma, gerando festas alegres, orgiásticas e de fertilidade. Vale também pensar que as Bacantes - sacerdotisas do romano Baco, identificado a Dionísio - levavam o sexo a um ponto animal: mais uma vez o sangue poderia correr juntamente com o gozo em ritos mágickos e religiosos. Sem dúvida o tempo e a "civilidade" dos ocidentais fizeram com que esses ritos chegassem a ser banidos pelos romanos. :(

       Roma trouxe uma perspectiva um tanto mais triste para essa questão. Com o passar das gerações, a adoração deixou de estar no sexo como instrumento sagrado: ele se tornou um comércio tão complicado como o que existe nas grandes cidades de hoje. Existiam no auge do Império, pelo menos, 11 diferentes classes de prostitutas. Das mais ricas e influentes, como as "delicatae"; às filhas e esposas de homens influentes que se deitavam com diversos parceiros por prazer, estas são as "famosae"; às "copae" que eram garçonetes de tabernas, que se deitavam por uma pequena quantia de dinheiro com aquele que pagassem. Uma outra infeliz constatação do Império era a adoção de bebês para se tornarem escravas ou prostitutas quando maiores. Um filme que pode retratar essa questão da decadência sexual e moral de Roma é "Calígula".

       Na Grécia também existiam prostitutas. Elas estavam em três classes diferentes: "hetíaras" que eram semelhantes às "delicatae"; as "diteríadas" que eram escravas sexuais; "auletríadas" que eram artistas e agradavam os gregos tanto com dança e música como com sexo. É conveniente pensar que a prostituição não era necessariamente uma fonte de problema na antiguidade, pois existiam sacerdotisas responsáveis pelos cultos sexuais em diversas culturas. A questão se centra no mal uso que tomou a civilização ocidental. Os romanos caíram embriagados pelos seus excessos: terra, sangue e sexo. A divindade, o presente dos Deuses foi esquecido. A experiência espiritual da união carnal se diminuiu ao comércio, pedofilia e escravidão. Será que não estamos rumando para o mesmo caminho?

       Algumas tradições mágickas, incluindo algumas streghe, têm na união sexual um dos pontos da iniciação de seus neófitos. Ora feitos com um cunho meramente representativo e de encenação, ou pela união de corpos, o hierogamos uma das manifestações do poder criador da divindade, da combinação das essências formadoras da Natureza.

       O sexo é uma necessidade biológica como a de comer e beber. A dádiva está presente no prazer que temos em satisfazer todas essas necessidades. A potencialidade dela está no poder de criação. Nowicki (1994) coloca que a trindade que o sexo representa: fertilidade, amor e prazer foi o que manteve o ciclo de sobrevivência humana. Eu acredito que saber saborear essa necessidade traz a dádiva dos Deuses. A criatividade e as mil experiências sensórias que o sexo nos mostra são ferramentas maravilhosas na prática mágicka. Apreciar o corpo e a essência do outro pode ser tão delirantes quanto ritos xamânicos ou projeções astrais. A responsabilidade reside em preparação mágicka, compreensão do que se faz e uma motivação.

       O sexo, o prazer, a magia e suas expressões podem ser uma bela iniciação; além de um doce momento devocional: com os Deuses e com o nosso parceiro.