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2.2. PATRIMÔNIO CULTURAL DOS ENGENHOS DE AÇÚCAR

             As recentes iniciativas assumidas pela AD/DIPER de apoio a atividades e projetos vinculados ao desenvolvimento turístico da área, assim como o realce atribuído, no PROMATA, ao desenvolvimento de atividades turísticas, como instrumento de diversificação produtiva da mesoregião da Mata, tiveram como ponto de partida e pressuposto básico o potencial turístico dos numerosos engenhos de açúcar localizados no seu espaço.

             De fato, pelo seu significado histórico, pela sua contribuição à formação cultural do estado e pelo seu legado arquitetônico, os engenhos de açúcar constituem o principal ativo patrimonial deste território, sob o ângulo das possibilidades de contribuição ao seu desenvolvimento turístico.

             Para analisar o potencial turístico deste patrimônio histórico, cultural e arquitetônico, primeiro são abordadas a sua origem e características gerais. Depois, são apontados e avaliados os engenhos da área considerados mais relevantes sob o ângulo das suas possibilidades de exploração turística.

 2.2.1. Origem e Características dos Engenhos

 2.2.1.1. Origem dos Engenhos de Açúcar

 a)      A Economia do Açúcar

 No século XV, o açúcar era considerado uma especiaria nova e de alto preço, consumida pela nobreza européia. A cana-de-açúcar foi levada para a costa oriental do mediterrâneo pelos mouros. Os portugueses, que teriam conhecido a cultura da cana e assimilado a produção do açúcar na Sicília, a introduziram na Ilha da Madeira onde se expandiu rapidamente e, no final do século XVI, já era o maior produtor do Ocidente. No entanto, assim como cresceu, praticamente desapareceu do comércio internacional, com a competição do açúcar produzido em terras do Brasil, por colonizadores portugueses.

 Não tendo encontrado, no Brasil, os metais preciosos que os espanhóis descobriram nas outras colônias da América, os portugueses se fixaram nas terras mais apropriadas da colônia para produzir uma mercadoria de alto valor no comércio internacional. O açúcar acabou sendo uma excelente mercadoria para a coroa portuguesa e durante todo o período colonial, até meados do século XIX, figurou como principal produto de exportação. Portanto, mesmo no auge do período aurífero, o açúcar manteve a sua posição de liderança como produto de exportação.

No final do século XVIII, o Brasil, que vinha utilizando as mesmas técnicas de produção do passado, perdeu o papel de principal fornecedor de açúcar, no mercado internacional, para o Haiti, onde se desenvolveram técnicas mais modernas de produção de açúcar. Posteriormente, a cultura se expandiu para as Antilhas. No século XIX, com muitas resistências dos senhores de engenho, a produção de açúcar introduziu novas técnicas e a máquina a vapor. Mas, isso não foi suficiente. Em pouco tempo, cedeu à industrialização que chegou no fim daquele século sob a forma de engenhos centrais e de usinas.

 b)      Os Processos de Produção

 O processo de produção do açúcar de cana é simples, mas requer um trabalho intenso e contínuo. Ele inclui a fase agrícola (produção, colheita e transporte da cana) e a fase industrial (moenda da cana para extração do caldo, cozimento deste, decantação, purificação e embalagem).

 A fase agrícola não requereu em Pernambuco, durante três séculos, o emprego de técnicas mais avançadas de produção devido à produtividade da terra e à natureza da cultura. A tarefa mais penosa é a da colheita que, ainda hoje, se faz com base no facão e na foice. Mas foi, também, o isolamento da colônia que explica a ignorância dos senhores de engenho em relação ao progresso alcançado em outros centros produtores concorrentes. Durante dois séculos, foi utilizada em Pernambuco a denominada cana “crioula”, de baixa produtividade.

 

O principal problema da fase industrial da produção de açúcar foi o da moenda. O que determinou o seu rendimento foi o tipo de força motriz utilizada. A água e os animais desempenharam essa função. Mas a primeira era insuperável como fonte de energia de melhor rendimento. Via de regra, os engenhos eram movidos com rodas d’água ou com animais. A preferência das primeiras era tão grande que muitas delas chegaram a ser utilizadas até o século passado. A roda d’água, com todas as suas engrenagens em madeira, era um brilhante fruto da engenharia mecânica. E foi esse engenho que deu nome ao edifício que o continha (a fábrica) e ao complexo agrícola industrial-residencial onde se produzia o açúcar.

 

No início do século XIX, as rodas d’água já estavam ultrapassadas tecnicamente. No Haiti, a máquina a vapor já era conhecida no final do século XVIII. Em Cuba, o primeiro engenho a vapor foi instalado em 1796. Em Pernambuco, o primeiro engenho a vapor data de 1817. Em 1894, existiam na província de Pernambuco 5 engenhos a vapor, 101 à água e 426 a animais.

 Desde os primórdios da colonização, os transportes utilizados para o escoamento da produção foram o fluvial e o marítimo. Fluvial até a costa e marítimo até o porto do Recife. Os engenhos localizados a uma maior distância dos rios transportavam o seu açúcar em lombos de animais ou em carros de boi. As estradas de ferro permitiram reduzir os custos de transporte, expandir a produção e interiorizar o plantio da cana. Mas, ao mesmo tempo, determinar a mudança de escala na produção, concretizada com os Engenhos Centrais e as Usinas, e a transformação dos engenhos em simples fornecedores de cana, com o abandono da produção de açúcar.

c)      Senhores e Escravos

 Centram-se na figura do senhor de engenho e na natureza de trabalho escravo, marca profunda da sociedade colonial, os fatores mais determinantes da formação cultural de Pernambuco.

 A maioria dos colonos que se estabeleceu em Pernambuco, no século XVI, provinha do norte de Portugal, onde predominava a pequena propriedade rural. Também, na colônia, muitas das propriedades onde se cultivava a cana tinham pequenas dimensões e não possuíam engenho. Com o tempo, a figura do simples plantador de cana foi perdendo importância e cedendo suas atribuições ao senhor de engenho.

No Brasil colonial, ser proprietário rural e, ainda mais, senhor de engenho, significava muito mais do que ter uma fonte de renda; significava um título quase nobiliárquico. A propriedade de um engenho era fundamental para manter ou conseguir um título de nobreza.

 as o senhor de engenho, tradicionalmente retratado com sua aura de poder, parece estar distante da sua condição real. No século XVIII, todo o comércio estava nas mãos dos “mascates” – comerciantes, geralmente portugueses, que residiam no Recife. Os senhores de engenho produziam açúcar. Mas quem o comercializava eram os mascates. Assim, de fato, em muitos casos, os senhores de engenho foram presa fácil dos comerciantes.

 A situação de conflito entre senhores de engenho e “mascates” perdurou durante os séculos XVIII e XIX e só terminou no fim deste, com a capitulação dos primeiros, desta vez diante dos usineiros.

A mão-de-obra que sustentou a produção de açúcar em Pernambuco foi a do escravo africano. O emprego de escravos índios na produção de açúcar sempre foi conflituoso, por questões culturais (dos índios) e religiosos (da Igreja), e foi diminuindo à medida que os senhores enriqueciam e podiam importar escravos africanos.

O escravo negro foi tratado como um fator de produção. Mas tratar os escravos como coisas parecia ser consensual na sociedade escravagista colonial. Até mesmo a Igreja, que tanto lutou para preservar a liberdade dos indígenas, pouco fez em relação aos escravos africanos.

O fato inconteste é que o negro não somente foi um fator determinante na produção de açúcar em Pernambuco como também se constituiu numa marca indelével na sociedade colonial e imperial, fosse ela rural ou urbana.

  sociedade usava o negro e dependia dele. O escravo negro chegou até a influir no modo de construir, na medida que substituía certas funções do edifício.

  arquitetura que se realizou na zona rural de Pernambuco não é conseqüência exclusiva das relações sociais entre senhores e escravos, mas as reflete bem.

 2.2.1.2. Características Gerais dos Engenhos

             Conforme já assinalado, as características gerais dos engenhos de açúcar, a seguir apresentadas, são um resumo condensado do trabalho ENGENHO & ARQUITETURA, de Geraldo Gomes que, para a sua realização, visitou e estudou 150 antigos engenhos de açúcar de Pernambuco. A maioria destes engenhos datam do século XIX e uns poucos, apenas, do século XVIII. Os engenhos mais antigos não resistiram ao tempo e não existem mais.

            Na microrregião da Mata Norte, onde se localizam seis dos sete municípios que compõem a área do estudo, se concentra grande parte dos engenhos ainda existentes no estado. A instalação mais tardia das usinas, na Mata Norte, permitiu uma sobrevida maior aos engenhos localizados nela. De resto, o seu estado atual de conservação é muito variado. Alguns, quase em ruínas, e outros, bem conservados pelos seus atuais proprietários, guardando suas construções originais, ou com reformas realizadas no século passado.

 a)      Composição das Edificações

 “Engenho” significava, até fins do século XIX, uma propriedade rural com cultura de cana e uma sede constituída de edifícios que serviam a fins diversos:

 ·                   O engenho propriamente dito, que dera nome à propriedade, constituía o edifício principal, do ponto de vista produtivo. Era a fábrica, ou moita, como se lhe denomina localmente. Sob o mesmo teto deste edifício, normalmente se moía a cana e se cozinhava o seu caldo. Num edifício contíguo ou próximo, conhecido como “casa de purgar” se processava o branqueamento do açúcar.

 ·                   Para fins habitacionais do proprietário havia a “casa de vivenda”, também conhecida como “casa grande”.

 ·                   Freqüentemente, também com fins residenciais, havia a casa do administrador e as casas dos escravos, ou senzalas.

 ·                   Com raríssimas exceções, todos os engenhos tinham uma capela para o culto do proprietário e da sua família, assim como dos trabalhadores livres e dos escravos.

 b)      Localização

 Vários fatores influíram na localização dos primeiros engenhos:

 ·                   O principal fator foi a proximidade de água corrente e perene. Em primeiro lugar, porque a água era a melhor fonte de energia e, em segundo lugar, porque facilitava o transporte do produto.

 ·                   O segundo fator foi o tipo de solo. Neste caso, a microrregião da Mata Sul, onde predomina o massapê, foi a preferida nos primeiro séculos.

·                   O terceiro fator foi a proximidade das matas, pois delas se extraía o combustível das fornadas dos engenhos.

 ·                   E, como último fator, foi a distância dos índios. Pelo menos, nos dois primeiros séculos, se procuravam áreas distantes deles porque os engenhos não dispunham de meios eficientes de defesa.

 Somente no século XIX, com a utilização do bagaço de cana como combustível, da máquina a vapor, como fonte de energia, e das ferrovias, como meio de transporte, esses fatores de localização dos engenhos diminuíram de importância.

 c)      Implantação

 Nos primeiros séculos, os edifícios distavam pouco entre si e não se percebia um padrão rígido para o seu assentamento no terreno. Mas a sua lógica geral de implantação correspondia ao seguinte esquema:

·                   A moita ou fábrica se implantava na parte mais baixa do terreno para melhor aproveitamento da água como força motriz.

 ·                   A casa-grande se implantava em nível mais e levado, provavelmente para que o senhor de engenho pudesse ter o domínio visual das atividades da fábrica.

 ·                   A capela se situava acima ou no mesmo nível da casa-grande.

 ·                   Nesses primeiros séculos não existem indícios da existência de edifícios em área próxima à casa-grande ou justaposta a ela. Neste caso, a senzala contígua à casa-grande se destinava exclusivamente aos escravos utilizados no serviço doméstico.

 d)      Tipologia dos Edifícios

 ·                   A Fábrica

 O despojamento decorativo e a ausência de uma perceptível intenção plástica são as características formais dos edifícios destinados à fábrica.

 Os materiais de construção utilizados são os mesmos utilizados através de quatro séculos: tijolos, para os pilares e para as paredes; madeira, para a estrutura de coberta e telhas do tipo canal, de barro, para o recobrimento. Os pisos, sempre em terra batida, recebem algum reforço de pedra nas rampas que porventura existam.

             A estrutura de coberta encontrada na totalidade das fábricas se constitui, essencialmente, de tesouras de duas linhas horizontais ligando as extremidades inferiores e os meios das asnas. As asnas se cruzam em meia-madeira para receber a cumeira. As tacaniças se apóiam nas asnas da última tesoura. Os frechais de canto são ligados, no mesmo nível, por uma travessa a 45º, para absorver os empuxos oblíquos das tacaniças.

            Os caibros são em madeira roliça sem cascas e as ripas, muito juntas, em embira. As argamassas das alvenarias são de barro, saibro e cal. O acabamento das paredes, sempre rebocadas, é em caiação branca. As madeiras nunca são pintadas. 

·                   A Senzala

 Nas propriedades rurais que foram engenhos em Pernambuco, existem apenas uns poucos que tiveram senzalas, isto é, habitações de escravos, seja devido a que a maioria dos engenhos atuais foram construídos após a abolição da escravatura, seja devido à fragilidade dos materiais com que foram construídos. 

O único tipo de senzala encontrado se constitui de uma série de cubículos contíguos em linha com um alpendre comum ao longo de todo o edifício e cobertos com um mesmo telhado de duas águas.

 

A técnica construtiva é a de taipa de pau-a-pique ou alvenaria de tijolos maciços. Os vãos entre as paredes são de aproximadamente três metros. A estrutura de coberta resume-se a terças de madeira apoiadas nas paredes, caibros roliços e ripas de embira.O seu recobrimento é sempre em telhas de barro tipo canal. Essa mesma estrutura de coberta se estende ao alpendre suportado por colunas de alvenaria de secção circular.

 ·               A Casa Grande

 É nas casas grandes dos engenhos pernambucanos onde, principalmente, se realizou a arquitetura, enquanto artefato de atendimento de alguma satisfação estética. Geraldo Gomes, no seu já citado ENGENHO & ARQUITETURA, depois de classificar em nove grupos os tipos de casa-grande encontrados no estado, tira, entre outras, três conclusões importantes: 

A primeira é que a casa do senhor de engenho de Pernambuco foi o edifício que mais se modificou no complexo agroindustrial edificado e a sua diversidade tipológica restringe a poucos tipos a classificação que Gilberto Freire lhe atribuiu de clássico da arquitetura rural. 

A segunda é que a tipologia da arquitetura rural de Pernambuco tem, como parâmetro significativo, as sucessivas mudanças de procedimento de adaptação climática dos modelos importados.

 E, a terceira, é que os tipos que não são de origem portuguesa não se constituem, por exclusão, uma criação brasileira. O que seria, supostamente, brasileiro surge ao mesmo tempo, e até antes em outras regiões fora do Brasil.

 Entre os grupos identificados por Geraldo Gomes, assinalam-se, a seguir, aqueles em que está incluído algum dos engenhos localizados nos sete municípios da área.

 O Grupo I, chamado de casas “nortenhas”, devido a sua semelhança com as casas rurais de Portugal, comporta três subdivisões. No terceiro tipo deste Grupo – IC-está incluído o engenho Poço Comprido, no município de Vicência. Este tipo tem como marca a escada externa dando acesso a uma pequena varanda ao longo da fachada principal.

 O Grupo III é constituído de “solares”, por sua semelhança com as casas rurais e urbanas de Portugal, que se reproduziram sem modificações desde o século XVII ao XIX. As suas características básicas são: dois parâmetros, sistema construtivo dos elementos portantes em alvenaria de tijolos ou de pedra; planta retangular; estrutura de coberta em madeira e recobrimento em telhas de barro; telhado em quatro águas e pisos de pavimento superior em tábuas apoiadas em vigamento de madeira.

 No primeiro tipo deste grupo - III A – estão incluídas as casas dos engenhos Juá, em Tracunhaém; Tabatinga, em Vicência; e Morojó, em Nazaré da Mata. São edifícios com escada interna; raros os pequenos alpendres e pavimento térreo menor que o superior, quando situada em meias encostas. Todos os engenhos citados são do séculos XIX.

 No segundo tipo do mesmo grupo – III B – está incluída a casa grande de engenho Limeira, em Aliança, construído no século XIX. Os edifícios deste tipo têm duas características específicas: Implantadas em meias encostas, seus pavimentos térreos são sempre menores do que os superiores e suas escadas são externas, levando a alpendres que podem se desenvolver ao longo de uma ou duas fachadas. 

 O Grupo V é constituído de casas, a quem Gomes denomina de “Bungalows”, com as seguintes características: um pavimento, cobertura com estrutura em tesouras de madeira e recobrimento com telhas de barro, telhado em quatro águas, contínuo, cobrindo o corpo principal e os alpendres; planta retangular com alpendre em “U” ou em “L” e paredes periféricas, em tijolos, mais grossas que as internas, que nunca vão até o teto. Estão incluídas neste grupo as casas dos engenhos Araticuno, Iguape, Pombal e Teitanduba, em Vicência; Eriméia, em Buenos Aires; Sirigí, em Aliança; e Tamataúpe-de-Baixo e Diamante, em Nazaré da Mata. Todas elas foram construídas no século XIX.

 O Grupo VI se constitui de casas construídas no século XIX, com pequenas dimensões, classificadas como “Falsos Bungalows” e com as seguintes características: um único pavimento; cobertura com estrutura de madeira e recobrimento em telhas de barro; telhado em quatro águas, mais alto e independente do telhado dos alpendres; plantas retangulares; alpendres em “U”; paredes periféricas, em alvenaria de tijolos, mais grossas do que as internas que nunca vão até o teto. Pertencem a este tipo, as casas grandes dos engenhos Cancela, em Tracunhaém, e Lagoa-Seca-de-Baixo e Gameleira, em Aliança.

 O Grupo VIII é composto de casas construídas em fins de século XIX e início do século XX, classificadas como “chalés”. É possível que algumas destas casas tenham sido construídas para a residência dos proprietários de fazenda de cana e não mais de engenhos, mas esta última denominação sobreviveu à função. Este é o grupo mais numeroso, devido à sua construção mais recente. A freqüente utilização de bandeira em arcos ogivais nas portas e janelas indicam a divulgação, no meio rural, do gosto estético urbano contemporâneo.

Estas casas têm as seguintes características: um pavimento; paredes periféricas e internas em tijolos; paredes internas não atingem o teto e sustentam pontaletes de madeira que, por sua vez, suportam as terças de madeira da estrutura do telhado; recobrimento em telhas de barro tipo canal apoiadas em ripas de embira e em caibros de madeiras roliça; telhado em duas águas e cumeira perpendicular ao plano de fachada principal; alpendres com telhados independentes da coberta do corpo da casa, paralelos a duas fachadas opostas ou em “U” e plantas retangulares.

 Pertencem a este grupo as casas dos engenhos Xixá, em Timbaúba; Capibaribe, em São Vicente Férrer; Jundiá, em Vicência; Terra Nova, em Aliança; e Abreus, em Tracunhaém.

 ·                   A Capela

 A classificação tipológica das capelas não é condicionada pelos seus elementos de decoração, mas pelos seus elementos construtivos. As capelas foram os edifícios que menos se modificaram através do tempo. Raramente se notam tentativas de adaptação ao gosto contemporâneo e, quando isso ocorre, se manifesta no arranjo do frontão ou nos altares.

 As capelas foram sempre construídas com materiais mais duráveis que os utilizados nos demais edifícios do engenho. As alvenarias, de pedra ou de tijolo, foram as técnicas preferidas, não se constatando caso algum de construção em taipa de qualquer tipo.

 As coberturas sempre foram executadas com estruturas de madeira, utilizando-se tesouras, caibros e ripas. O recobrimento é sempre em telha de barro tipo canal. Os forros, quando existiam, limitavam-se à capela-mor, eram executados em madeira e tinham a forma de abóbadas de berço. As capelas raramente tinham torres sineiras. Os seus sinos eram assentados em vãos abertos nas paredes no mesmo plano e ao lado da fachada do corpo principal.

 As referências bibliográficas são unânimes quanto à riqueza dos interiores das capelas, mas o seu saque organizado e a venda de altares, imagens, pinturas e talhas impede uma classificação rigorosa. Resta, como testemunha dessa opulência, a capela do engenho Bonito, em Nazaré da Mata, com seu altar-mor, arco-cruzeiro, tribunas e púlpito revestidos com talha dourada.

 Gomes classifica as capelas em três grupos de partidos arquitetônicos e sua ordem é também cronológica. A seguir são assinalados os tipos em que estão incluídas algumas capelas de engenhos localizadas nos municípios da área.

 O Grupo I possui o programa mais reduzido, essencialmente a nave, a capela-mor e a sacristia, contidos em três volumes distintos.

 No segundo tipo deste grupo – IB – estão incluídas as capelas dos engenhos Terra Nova, em Aliança; Conceição e Tamataúpe de Flores, em Buenos Aires; Araticuna, em Vicência; Pindoba, em Timbaúba; Penedo Velho e Primavera, em Tracunhaém e Pagy, em Nazaré da Mata.

 Este tipo se distingue pelo aparecimento da sacristia, sempre ao lado da capela-mor e do coro. As dimensões das capelas variam muito, mas é constante a relação de superioridade do volume da nave em relação ao da capela-mor. A composição básica dos vãos da fachada é o triângulo formado pela única porta central e as duas janelas do coro. Os elementos decorativos da fachada limitam-se ao frontão, cuja cornija se encurva de várias maneiras. 

O Grupo II constitui-se de capelas com os mesmos espaços do grupo anterior e mais galerias laterais contíguas e paralelas à nave. No primeiro tipo deste grupo – II A – se inclui a capela do engenho Patos, em São Vicente Férrer. Ela se caracteriza por uma única galeria que serve, essencialmente, para cobrir a escada de acesso ao coro e, eventualmente, ao púlpito.

 O segundo tipo deste grupo – II B – é constituído de capelas com duas galerias fechadas, uma de cada lado da nave. Como nas capelas do primeiro tipo, é nessas galerias que se localizam as escadas de acesso ao coro e ao púlpito. As capelas contíguas às casas grandes sempre têm essas galerias com dois pavimentos.

 Estão incluídas neste segundo tipo, as capelas do Engenho Bonito, em Nazaré da Mata; Poço Comprido, em Vicência; e Boa Vista, em Timbaúba, todas construídas no século XVIII, assim como a capela do engenho Morojó, em Nazaré da Mata, construída no século XIX.

 Cabe destacar, especialmente, a citada capela do engenho Bonito, porque a riqueza, o apuro e o capricho do seu interior são um raro e eloqüente testemunho do que pode ter sido um procedimento muito freqüente nas capelas dos engenhos de açúcar em Pernambuco.

2.2.2. Potencialidades Específicas de Alguns Engenhos

             Fruto das visitas e observações realizadas “in loco”, a seguir são relacionadas, por município, os engenhos que, em princípio, parecem possuir maior potencial para contribuir ao desenvolvimento turístico da área. Os critérios adotados para compor esta relação não foram rígidos e envolveram, principalmente, os aspectos de valor histórico e arquitetônico dos engenhos, as características do seu entorno natural, o seu atual grau de conservação e as suas possibilidades de transformação em espaço receptivo de qualquer natureza, o que envolve o interesse atual ou futuro dos seus proprietários no empreendimento de uma atividade turística ou na aceitação de parcerias com este objetivo.

             Naturalmente, é uma relação preliminar de tipo indicativo, sem caráter vinculativo a qualquer programa público atual ou futuro. E a não inclusão de qualquer engenho da área, nesta relação, não pressupõe uma avaliação pouco valorativa do mesmo, seja em relação ao seu uso para fins turísticos, seja em relação a qualquer outro aspecto técnico, estético, cultural ou econômico.

 a) No Município de Tracunhaém

             No Inventário do Potencial Turístico de Pernambuco, a EMPETUR aponta seis engenhos com potencial turístico no município.

             No trabalho ENGENHO & ARQUITETURA, são mencionados três casas grandes e duas capelas dos engenhos do município.

             Dentre esses engenhos, são destacados os seguintes:

·                   Engenho Trapuá

 Localizado nas terras do mesmo nome, nas encostas da Serra do Trapuá, dista apenas 4 km da sede do município. No entanto, o acesso, que inclui três km de estrada de barro é prejudicado em dias de chuva.

 Conforme já foi salientado anteriormente, um dos atrativos principais do engenho é o patrimônio natural do seu entorno territorial, de caráter singular em termos paisagísticos e visuais. Mas o seu valor histórico e arquitetônico também deve ser destacado.

 Foi construído no século XVIII. A sede possui duas casas grandes, uma antiga e já descaracterizada e a outra construída na primeira metade do século XIX. A moita (fábrica), localizada próxima de um riacho, é o elemento de destaque, constituindo exemplo de expressivo valor arquitetônico. É composta por três blocos regulares, sendo que um dos blocos tem o aspecto incomum de apresentar dois pavimentos. O seu estado de conservação é apenas regular. Incomum, também, é a localização da capela, bem distante do conjunto, no cimo da serra. Construída no início do século XIX, o seu estado de conservação é ruim.

 Pela sua proximidade da sede urbana do município, pelo seu valor histórico e arquitetônico e, principalmente, pela sua localização privilegiada, o engenho oferece boas condições para ser utilizado como espaço turístico, seja para hospedagem, seja para visitação. 

·                   Engenho Juá

 Localizado a 15 km da sede do município, a maior parte do acesso até ele tem de ser realizado por estradas em terra,  em regular estado de conservação.

 Foi construído no século XVIII. É um exemplo típico de arquitetura rural do ciclo-do-açúcar. Gomes o classifica no primeiro tipo do Grupo III. No século XIX, o engenho foi movido à tração animal, passando depois a vapor. A sede possui duas casas, a primeira do século XVIII, está em estado regular de conservação e a segunda, construída em 1934. Com traços semelhantes aos das construções urbanas, está em bom estado de conservação. O estado de conservação da moita, adotada para uso como estábulo, é regular.

 A sua ambiência física, atualmente, está descuidada. Mas o seu entorno natural, incluindo um açude próximo e os morros que o rodeiam, contém um bom ingrediente paisagístico.

 O engenho, assim como a sua área, não possuem o potencial turístico do engenho Trapuá. Mas, pela sua distância de qualquer núcleo urbano e pelas características do seu ambiente natural e criado, poderá ser usado para o segmento de turismo rural. Será necessário, no entanto, recuperar a casa grande mais antiga, assim como recuperar e dar um outro destino mais apropriado à moita.

 ·                   Engenho Abreu

 Se localiza a apenas 5 km da sede do município, mas um trecho de 4 km em estrada de terra, está em estado precário de conservação o que, no período de chuvas, dificulta o acesso ao engenho.

 Encontra-se em área povoada desde a segunda metade do século XVII, por exploradores de algodão. Do antigo engenho, restam apenas a casa grande e a capela. A casa grande atual foi construída em 1917 e apresenta características comuns aos chalés típicos do início do século. A capela, sob a invocação de São Bernardo, apresenta estrutura de alvenaria e tijolo. Ambas estão em bom estado de conservação. Atualmente, o engenho funciona como fornecedor de cana para usinas.

 Pela proximidade da sede do município, e pelo valor histórico do engenho, poderá ser usado como espaço receptivo no segmento de turismo rural.

 b) No Município de Nazaré da Mata

             É o município, entre aqueles incluídos na área, que possui maior número de engenhos. No Inventário do Potencial Turístico de Pernambuco, a EMPETUR aponta 13 engenhos com potencial turístico no município. No trabalho ENGENHO & ARQUITETURA, são mencionadas três casas grandes e três capelas de engenhos do município, com destaque especial para a capela do engenho Bonito.

             Além do engenho Cueirinhas, que já funciona como espaço turístico, com pesque-pague, são destacados quatro engenhos  já incluídos no projeto Engenhos do Norte, apoiado pela AD/DIPER, SEPLANDES e SDETE.

 ·                   Engenho Bonito

 Localizado a 8 km da sede do município, é de difícil acesso, pelo péssimo estado de conservação das estradas em terra no trecho final antes da chegada até ele. Atualmente tem na produção semi-artesanal de doces e geléias o seu destaque.

 A casa grande, chalé do início do século XIX, não tem valor arquitetônico. O prédio da moita é uma construção em alvenaria de tijolos, assentada num declive de terreno, de modo que os blocos se situam em diferentes níveis. A capela, dedicada a São Francisco Xavier é um belíssimo exemplar rural do século XVIII e está tombada pelo IPHAN desde 1949. A sua fachada principal compõe-se de um vão central e dois laterais. Uma única parte central dá acesso à nave e duas seteiras, uma de cada lado, no nível térreo, e quatro janelas, no nível do primeiro pavimento. O frontão possui colunas ladeadas por pequenos pináculos, com um nicho ao centro e uma cruz em cima. As geleiras laterais, encimadas por um pequeno frontispício, possuem nichos vazados centrais e cornijas onduladas. Seu interior é deslumbrante. Talhas no estilo D. João V evoluído formam o arco-cruzeiro, as tribunas e o altar-mor. A teia de coro também é em madeira torneada e entalhada. O forro da capela-mor é abobadado, de talha dourada , e os da nave e os da sacristia, em madeira com pintura. Sob o piso do coro, também em madeira, pintura de motivos florais.

 Pela importância histórica e arquitetônica da sua capela, este engenho será chamado de Engenho da História, dentro do consórcio de engenhos que constitui o projeto Engenhos do Norte. A médio prazo, poderá tornar-se um dos principais pontos de visitação turística da área.

 ·                   Engenho Santa Fé

 Situado junto à cidade (0,7 km), tem um acesso fácil e rápido. Já funciona como espaço receptivo de hospedagem, com açude de pesque-pague e outros equipamentos de apoio. Faz parte, também, do projeto Engenhos do Norte.

O conjunto do engenho, de valor arquitetônico pouco significativo, é formado pela casa grande, moita, casa de purgar, casario conjugado (já utilizado para hospedagem) e edificações recentes. A casa grande, construída em meados do século XX, é uma edificação de único pavimento com cobertura de quatro águas. Elemento de destaque no conjunto, a casa de purgar ainda preserva sua estrutura.

·                    Engenho Várzea Grande

 Localiza-se na margem da BR-408, a apenas 3,6 km da sede do município. O acesso, portanto, é excelente. De construção recente (primeiras décadas do século XX), embora não apresente grande relevância histórica ou arquitetônica, é um dos mais bonitos da região. A capela, a casa grande e os seus prédios anexos, formam um todo harmonioso e palmeiras imperiais dão um tom imponente ao local. A cor branca e a forma e combinação dos edifícios relembram um “cortijo andaluz”. O estado geral de preservação do conjunto é bom.

Incluído no projeto Engenhos do Norte, será destinado à celebração de cerimônias (recepção de casamentos e confraternizações). Deverá explorar, também, o cultivo e a comercialização de flores.

·                   Engenho Ventura

 Também localizado próximo à BR-408, está a uma distância de 8,4 km da sede do município. Faz parte, também, do projeto Engenhos do Norte, como engenho de cultura, desenvolvendo atividades principalmente para crianças e jovens, além de hospedagem tipo albergue.

 Ambientado entre plantas ornamentais, árvores de maior porte e palmeiras imperiais, o conjunto arquitetônico do engenho não apresenta grande relevância arquitetônica. A casa grande, modificada há aproximadamente sessenta anos, é um chalé com alpendre em forma de “U”. O estado geral de conservação do conjunto é bom.

 d)      No Município de Buenos Aires

 No inventário do Potencial Turístico de Pernambuco, a EMPETUR assinala cinco  engenhos com potencial turístico no município de Buenos Aires. No trabalho ENGENHO & ARQUITETURA, são mencionados uma casa grande e uma capela de engenhos do município. Dentre os engenhos de Buenos Aires, são destacados três:

 ·                   Engenho Tamataúpe das Flores

 Localizado a 6 km da sede do município, o seu acesso se dá, no trecho final, através de estrada de terra em regular estado de conservação.

A casa grande é um amplo chalé, sem relevância arquitetônica, mas extremamente bem cuidada. A capela, dedicada a São Raimundo, possui nave, capela-mor, sacristia e coro. Sua fachada principal é de única porta central e duas janelas no nível do coro. O frontão triangular, encimado por uma cruz, é adornado por pinhas em suas extremidades laterais. A moita é uma construção em alvenaria de tijolos, assentada num declive de terreno, de modo que os blocos se situam em diferentes níveis.

O que mais chama a atenção neste engenho não é o seu valor arquitetônico, mas o conjunto dos seus edifícios residenciais e de lazer e o cuidado aprimorado dos mesmos: salas, quartos, salas de jogos, piscina, açude, gramados, sinalização, criação de ovinos,  para cavalos, com manejo cuidadoso. Praticamente está pronto para ser transformado em espaço de hospedagem para turismo contemplativo e de lazer. Ademais, está próximo de atrativos de natureza, como o Mirante da Pedra do Urubu.

 ·                   Engenho Cavalcanti

 Está localizado a 5,7 km da sede do município. O trecho final de estrada em terra que lhe dá acesso está em estado regular de conservação. Faz parte do consórcio de engenhos do projeto Engenhos do Norte, como Engenho de Tecnologia.

 O engenho tem como elemento de destaque a capela e a moita. A casa grande, um “bungalow” de construção mais recente não possui características relevantes, mas está bem cuidado, o entorno natural não tem nenhum elemento de grande realce, mas apresenta uma ambiência acolhedora.

·                   Engenho Conceição

 Localiza-se a 3,5 km da sede do município. Mas a estrada em terra pela qual se chega até o engenho está em péssimo estado de conservação e prejudica o acesso a ele.

 A casa grande não tem relevância arquitetônica, por ser de construção recente. Os elementos de maior destaques no conjunto são a capela e a moita. A capela, dedicada à Nossa Senhora da Conceição, tem em sua fachada principal uma única porta central de acesso e duas janelas no nível do coro. A sua construção data de 1904. A moita, de grandes dimensões, é uma construção em alvenaria de tijolos, assentada num declive de terreno, de modo que os seus blocos se situam em diferentes níveis. O estado de conservação da capela e da moita é regular.

A sua proximidade da serra da Conceição confere ao engenho um valor adicional, pelas possibilidades que lhe abre para um turismo receptivo nos segmentos turísticos de natureza e de aventura.

d) No Município de Vicência

             No Inventário do Potencial Turístico de Pernambuco, a EMPETUR assinala 8 engenhos com potencial turístico no município. No trabalho ENGENHO & ARQUITETURA, são mencionadas sete casas grandes e duas capelas de engenhos do município. Dentre estes engenhos de Vicência, destacam-se três:

 ·                   Engenho Poço Comprido

 Está localizado a 11,7 km da sede do município. As estradas de terra que conduzem até ao engenho, passando por meio de canaviais, estão em bom estado de conservação, mas o percurso, além de não estar sinalizado, é monótono. A chegada ao engenho, entretanto, compensa o visitante.

Este engenho é um dos mais antigos e imponentes engenhos de toda a microrregião, tendo sido tombado pelo IPHAN/PRÓ-MEMÓRIA, em 1962. Possui um belíssimo conjunto arquitetônico, formado pela casa-grande, capela e senzala.

 A setecentista casa grande assobradada é a única remanescente do século XVIII em Pernambuco. Como já foi assinalado, tem como marca a escada externa que dá acesso a uma pequena varanda ao longo da fachada principal. O engenho mantém os equipamentos  que o compõem em precário estado de conservação, existindo projeto de revitalização para o conjunto. É o único, no estado, que possui Pelourinho.

 A antiga capela interligada à casa tem seu frontão barroco, sem torre sineira e com frontispício bastante singular. Possui dois altares laterais e um altar-mor com teto em madeira, com afresco.

O engenho teve papel importante na história de Pernambuco. Foi testemunha da Confederação do Equador, uma vez que abrigou Frei Caneca, quando refugiado.

Pela sua importância histórica, cultural e arquitetônica poderá tornar-se, quando restaurado, um dos principais pontos de visitação turística da área.

 ·                   Engenho Jundiá

 Se localiza a 4 km da cidade de Vicência e tem bom acesso.

 É um típico engenho pernambucano. Seu conjunto arquitetônico ainda conserva as características do século XIX, formado pela casa grande, moita e capela. A casa grande é circundada por varandas e seu frontão decorado com jogo de águas em telhas cerâmica. A capela, localizada ao lado da casa, é votiva a Santa Joana D’Arc. No cimo da serrinha está localizada, também, a capela Nossa Senhora da Conceição. Todos os edifícios estão em ótimo estado de conservação, inclusive a atual residência dos proprietários, de construção mais recente.

 O que realça e alavanca o potencial turístico deste engenho, no entanto, é o seu patrimônio natural, descrito anteriormente e que, com os edifícios do engenho e com os equipamentos de apoio turístico já instalados, formam um conjunto turístico ímpar em toda a área.

 Hoje, o proprietário já desenvolve, de maneira ainda incipiente, um turismo receptivo de visitação, sem pernoite. É um bom começo. Mas o engenho e a sua área têm potencial para desenvolver um turismo de maior porte e de maior agregação de valor, explorando o turismo receptivo de hospedagem para segmentos do mercado turístico de alta e média renda.

·                   Engenho Iguape

 Está localizado a 12 km do trevo da entrada de Vicência e o seu acesso se dá pela mesma estrada de terra seguida para Poço Comprido.

 A sede do engenho é composta, atualmente, de casa grande, moita e casa de moradores. A imponente casa é alpendrada, com uma escada de acesso. Construída em três pavimentos, é circundada por terraços e ladeada por portas e janelas. Possui um murado de tijolos em sua volta.

 Na sua frente, existe um grande lago que, junto com o contorno dos pequenos morros que o rodeiam, forma uma interessante paisagem. Este entorno natural e a propriedade do engenho Poço Comprido potencializam a capacidade do engenho para o desenvolvimento de um espaço receptivo de hospedagem.

 e)      No Município de Aliança

 No Inventário do Potencial Turístico de Pernambuco, a EMPETUR assinala nove  engenhos com potencial turístico no município. No trabalho ENGENHO & ARQUITETURA, são mencionadas cinco casas grandes e cinco capelas de engenhos do município.

 Além do engenho Cipó Branco, onde já funciona o espaço receptivo Vale do Peixe, com hospedagem, pesque-pague e outros equipamentos, são destacados três engenhos adicionais:

 ·                   Engenho Jucá

 Localiza-se a 11,7 km do trevo de acesso à cidade de Aliança. O acesso até ao engenho se dá através de estradas de terra, em regular estado de conservação. É o engenho com localização mais próxima do atrativo natural formado pelo rio das Águas Tortas, descrito na relação do Patrimônio Natural do município.

 O engenho Jucá possui seu conjunto arquitetônico com estrutura original quase preservada. A casa grande, construída em 1897, e restaurada em 1923, tem estrutura em alvenaria de tijolos, com cobertura em duas águas, varanda em “L”, com colunas. Tem de ser destacada, também, a antiga moita, por apresentar parede e telhado originais. Presença, ainda, de construção que possivelmente foi a senzala e, hoje, serve de casa para os moradores. Encontra-se em bom estado de conservação.

 O seu entorno está cercado por plantações de cana-de-açúcar, coqueiros e árvores de médio porte. Mas não possui um relevo ou uma paisagem de realce especial. Atualmente está desativado, o que pode facilitar o seu uso como espaço turístico receptivo, no segmento de turismo rural.

 ·                   Engenho Vazão

 Está localizado a 6,5 km da sede do município, e o seu acesso, por estrada asfaltada e de terra, é razoável.

 Possui um conjunto arquitetônico de construção recente (início do século XX) e é compostos por casa grande construída em terreno elevado, em estilo chalé, coberta em quatro águas, com lance de escada lateral e varanda em “L”. Presença de moita e um conjunto de casas conjugadas.

O destaque do engenho reside no seu entorno natural. Dentro da sede, destaque para a entrada que dá acesso à casa grande, marcada por fileiras de coqueiros nas laterais do caminho. Bastante arborizada, sua ambiência é marcada por palmeiras, plantas ornamentais, fruteiras e um açude. 

No entorno que circunda o engenho, realçam as colinas que o rodeiam e que o escondem, ajudando a criar um clima de recolhimento.

 Como está com as suas atividades desativadas, poderá ser mais facilmente utilizado como espaço receptivo de lazer para os segmentos turísticos contemplativo e de natureza.

 ·                   Engenho Jaguaribe

 Localizado na área rural, mas com acesso viário em bom estado de conservação, o engenho se destaca não tanto pelo seu valor arquitetônico, como pelo seu estado de conservação e pelas melhorias realizadas pelos atuais proprietários.

 O conjunto arquitetônico da sede do engenho é formado pela casa grande, construída em período recente (1924), pela moita, em bom estado de conservação, cocheira, garagem e casas de moradores.

 O ponto alto é constituído pelo tratamento paisagístico. A entrada, através de alameda em paralelepípedos, é marcada pela imponência de palmeiras imperiais. Todos os espaços internos têm jardins bem cuidados e uma densa vegetação rodeia o conjunto de edifícios. Na frente, a chegada no engenho é antecedida por um grande açude.

 O engenho, junto com seu entorno, está quase pronto para a sua transformação num espaço receptivo de hospedagem e, pela sua natureza, poderá alcançar um segmento do mercado turístico de média e alta renda. 

 f)        No Município de Timbaúba

 No Inventário do Potencial Turístico de Pernambuco, a EMPETUR assinala três engenhos com potencial turístico no município. No trabalho ENGENHO & ARQUITETURA, são mencionadas uma casa grande e duas capelas.

 Entre os engenhos do município, são destacados três:

 ·                   Engenho Água Azul

 Localizado a 17 km do trevo de acesso ao município, o acesso é feito através de várias estradas rurais, em bom estado de conservação, mas sem qualquer tipo de sinalização, o que dificulta e atrasa a chegada do visitante eventual.

 O conjunto de edifícios da sede do engenho não tem um valor ou significado especial, em termos arquitetônicos ou históricos. O valor do engenho, hoje, prende-se ao extraordinário entorno territorial em que se ubica, descrito na relação do patrimônio natural do município.

 Como o engenho e a usina Cruangi (onde se localiza o açude e o remanescente de Mata Atlântica) possuem vasta área, no entorno dos principais atrativos naturais, o potencial turístico deste endereço poderá traduzir-se, no médio ou no longo prazo, num espaço turístico de maior porte, para o mercado regional e nacional.

·                   Engenho Xixá

 Localizado na área rural, tem um bom acesso, por estrada asfaltada e, no trecho final, de estrada em terra, oferece uma bela paisagem.

 Como todos os engenhos do grupo VIII da classificação de Gomes, a casa grande do engenho é do tipo chalé, construída no final do século XIX. Apesar disso, tanto a casa grande como a capela estão em estado avançado de deterioração, com o mato dificultando o seu acesso. A moita, também mal conservada, guarda, ainda, boa parte dos equipamentos originais. Se não houver medidas urgentes de proteção e reparo, este engenho corre sério risco de demolição.

Mas, o potencial turístico do engenho não reside, propriamente, no seu valor arquitetônico – ainda que seja importante a sua recuperação – mas no patrimônio natural do seu entorno territorial, já descrito anteriormente. Pelas características da área, se presta para oferta de produtos vinculados ao turismo contemplativo de natureza, ao ecoturismo, e ao turismo de aventura de baixo risco.

·                   Engenho Santa Luzia

 É um engenho próximo à sede do município e que com o crescimento urbano de Timbaúba, nas últimas décadas, ficou encravado na periferia da cidade.

 É um engenho de construção recente, sem maior valor histórico ou arquitetônico, mas simpático e bem conservado e, sobretudo, que possui uma localização estratégica em relação à cidade de Timbaúba. Desde o seu alpendre se vislumbra o casario e o cruzeiro de um dos principais morros da cidade, localizado em frente à casa grande.

Assim, o engenho poderá desempenhar uma função de espaço de hospedagem, como ponto de apoio para turistas que vierem a visitar a área rural da região, e os seus engenhos e, ao mesmo tempo, preferirem pernoitar em local próximo a um espaço urbano.

 g)      No Município de São Vicente Férrer 

A EMPETUR ainda não realizou o Inventário do Potencial Turístico deste município. No trabalho ENGENHO & ARQUITETURA, são mencionadas uma casa grande e uma capela de engenhos do município.

 No entanto, pela riqueza do patrimônio natural de São Vicente Férrer, são destacados, a seguir, dois engenhos e duas fazendas que evidenciam significativo potencial turístico:

 ·                   Engenho Capibaribe

 Está localizado junto à sede do município e, portanto, de acesso fácil e rápido.

 É um engenho relativamente modesto com casa grande do tipo chalé, classificado no grupo VIII, no trabalho de Gomes. Está bem conservado. Conserva, ainda, a moita, assim como a antiga cocheira. Todo o espaço interno é bem ajardinado.

 O seu entorno, sem ser grandioso, possui elementos extremamente interessantes. Como a estrutura fundiária do local é composta de propriedades familiares de pequeno porte (10/20 ha), a terra é ocupada de maneira intensiva com cultura de banana, uva, cana e outras, formando uma bela policromia de cores.

Pela sua proximidade da cidade, o engenho poderá servir de apoio, como espaço receptivo de hospedagem, para os turistas que venham a procurar os múltiplos produtos turísticos do município.

 ·                   Engenho Patos

 Localizado no distrito de Sirigi e com fácil acesso desde a sede do município, o engenho tem um relativo valor cultural e está localizado num entorno natural exótico.

O conjunto arquitetônico do engenho é formado pela casa grande, cocheira, moita e casas de moradores. A capela, construída em 1844, a uma certa distância e num nível mais elevado do que a casa grande, pertence ao tipo II A, na classificação do Gomes, e que se caracteriza por possuir uma única galeria que serve, essencialmente, para cobrir a escada de acesso ao coro e, eventualmente, ao púlpito. Atualmente, a escada de acesso ao coro não é externa, mas pode tê-lo sido, pois ainda existe na galeria lateral a que pode ter sido o patamar de acesso para o coro no nível do seu piso.

Na frente do engenho passa um pequeno rio com nascente em mata próxima. Um quilômetro acima do engenho existe também uma cachoeira que é muito visitada, nos fins de semana, pela população local.

 Pelas características do engenho, e principalmente do seu entorno, o engenho poderá ser destinado, como espaço receptivo de hospedagem, ao turismo de aventura de baixo risco, e ao turismo de natureza.

 ·                   Fazenda Oito Porcos

 Localizada à beira da rodovia PE-74, a poucos quilômetros da sede do município, esta fazenda merece destaque especial pela riqueza do seu patrimônio natural, anteriormente descrito.

 A fazenda, logo na entrada, tem um conjunto de edifícios: a casa dos proprietários, cachoeira, casas de moradores e parque de vaquejada, todos em muito bom estado de conservação.

 Como o município de São Vicente Férrer é o que está mais distante do Recife e do núcleo central da área do projeto, dificilmente será incluído em roteiros de visitação da área. Assim, as áreas de interesse especial do município, como esta, na hipótese de ser destinada a atividades turísticas, o terá de ser como espaço receptivo de hospedagem. E, pela exuberância do entorno natural e pelo nível das construções e da infra-estrutura da fazenda, poderá focar a demanda da classe de renda média e alta.

·                   Sítio Curuçá

 Localizado a 8 km da sede do município, a sua inclusão nesta relação de engenhos prende-se, como na área anterior, à sua dotação em termos de patrimônio natural, assim como ao interesse manifestado pela proprietária em empreender um projeto turístico na sua propriedade.

 A casa principal da fazenda conta com instalações sólidas e rústicas. No espaço externo é contornada por terraços e a sua área interna é composta de sala de visita, sala de jantar, sala de música, três quartos, uma cozinha e dois banheiros.

 No seu entorno existem quatro prédios:

 Um pavilhão para hóspedes, com três quartos, um banheiro, uma sala de reunião e uma biblioteca.

 Um prédio onde funcionava a antiga vacaria que poderá ser reconvertida para outras funções receptivas.

 Um prédio, cujo ambiente é adequado para funções de ginástica e dança e espaço projetado para sauna, com um banheiro completo.

 Uma garagem coberta, com capacidade para dez automóveis de passeio.

 O entorno destas edificações é entremeado por jardins, gramado, piscina e uma pequena reserva de Mata Atlântica.

 Pela sua natureza e características, esta fazenda e o seu entorno poderão ser convertidos em espaço receptivo de hospedagem, para o segmento turístico de contemplação ou como ponto de apoio para hóspedes à procura de outros atrativos turísticos do município.