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Masturbação


Você já parou para pensar por que masturbação é um tema que gera tantos conflitos? Por que esta prática sexual realizada sozinho, ou mesmo com parceiro, para atingir o prazer sexual, não é tida como um ato tão natural como a relação sexual?
Pois saiba que nem sempre foi assim. Na Antigüidade, a masturbação era uma forma muito aceita de se obter prazer. No Antigo Egito, a religião utilizava a masturbação do deus Aton como exemplo para descrever a criação do mundo. As mulheres, ao morrer, eram mumificadas e enterradas com os objetos fálicos, com os quais se masturbavam.
Com a dispersão da cultura judaico-cristã, cujas religiões pregam que os homens sejam reprodutivos e se multipliquem, a prática da masturbação passou a ser condenada e chamada de onanismo (doença de Onan), porque causava o mesmo desperdício de sêmen e intencionalidade que o coito interrompido. Ambas práticas sexuais, cujo objetivo é o prazer.
Onan, cujo irmão morreu sem ter filhos em seu matrimônio, foi obrigado a casar com Tamar, a viúva, para lhe dar filhos. Pelo costume dos judeus, quando uma mulher contraía matrimônio, passava a pertencer ao marido e a toda família. Portanto, se o marido morria sem engravidá-la, cabia ao irmão mais novo a responsabilidade de tomar a viúva como esposa e criar o primeiro filho nascido de ambos, como um filho legítimo do morto. Sabendo que tal filho não seria reconhecido como seu, Onan, sempre que ia ter relações com Tamar , na hora de ejacular, deixava o sêmen cair no chão para não engravidá-la. Ao saber do que se passava, Deus o castigou com a morte. Não por ter se masturbado, mas por não querer fecundar a mulher de seu irmão e desperdiçar seu sêmen. É desta história, provavelmente, que vem a crença de que a masturbação causa a morte.
Na Idade Média, ficou ainda mais forte a idéia da ejaculação com a finalidade de procriação. Quando alguém era acusado de masturbação, era considerado herege, podendo ser condenado à morte na fogueira. Naquela época, os religiosos acreditavam que a masturbação era obra do demônio. Desse modo, as práticas sexuais com a intenção de buscar o prazer eram consideradas pecaminosas.
Foi assim que a masturbação ficou associada ao pecado e à crença de trazer conseqüências terríveis para seus adeptos, desde a evocação de demônios, até o surgimento de doenças, e inclusive a morte. Por essas coerções, não é de estranhar que muitos adolescentes temessem que, ao se masturbarem, corressem o risco de pecar ou ter doenças como epilepsia, loucura, tuberculose, espinhas, impotência.
Essas idéias de origem religiosa foram reforçadas mais adiante, no século XVIII em virtude da publicação de livros médicos. Tissot afirmava, por exemplo, que o esperma é um óleo essencial e desperdiçá-lo enfraquece o organismo e o torna mais vulnerável às doenças. Isto desencadeou um movimento antimasturbatório que ganhou ainda mais força, por se tornar também um valor da burguesia, na busca de poder. Era a tentativa de se distinguir da nobreza - classe degenerada - por meio da exaltação da decência.
Neste período, muitos jovens eram obrigados a usar um detetor de ereção ligado a um sino que alertaria os pais. Outros dormiam com um perverso anel de metal com quatro pregos voltados para dentro, ajustado ao pênis, para garantir uma noite sem ereção.
Nos colégios internos, os alunos culpados de masturbação eram presos e devolvidos à família. Tidos como doentes, eram submetidos a um tratamento especial: deitar-se de lado, nunca de costas, com aplicações locais de bolsa contendo gelo picado, neve ou água muito fria. Havia casos em que chegavam a fazer a cauterização do canal da uretra com nitrato de prata, além de dietas alimentícias para evitar a ereção ou a polução noturna.
O mesmo rigor era aplicado às meninas. Os religiosos, entendiam que, se o clitóris não tinha função na reprodução, só servia para o prazer sexual. Os médicos, portanto, realizavam o tratamento das jovens que eram encontradas se masturbando, por meio da retirada do clitóris, o qual era queimado com nitrato de prata ou com ferro quente. Outra opção era o uso de cinto constritivo que fechava a vulva, só deixando uma pequena abertura para a eliminação de urina e menstruação.
Como a história conta, muito tempo se passou acreditando nesses conceitos sobre masturbação. Só com os estudos de Freud sobre a sexualidade infantil, e, principalmente, com o avanço da sexologia, já no século XX, é que a masturbação começou a ser entendida como um hábito saudável na infância, adolescência, fase adulta e velhice. Mas muitas pessoas, ainda hoje, sentem-se inseguras para praticá-la naturalmente.
Quando chega a puberdade, a masturbação assume um papel importante na busca de satisfação sexual, tanto para os meninos, como para as meninas. A produção dos hormônios sexuais e os novos interesses do adolescente provocam o desejo sexual de forma muito intensa. Para aliviar esta tensão, eles buscam, na maioria das vezes, praticá-la de forma solitária.
Embora , atualmente, a masturbação na adolescência seja reconhecida, como uma aprendizagem importante para a satisfação sexual na vida adulta, muitos jovens ainda carregam sentimentos de culpa e medo, em função de uma educação rígida e de mitos que persistem até hoje. O prazer com a auto-estimulação dos genitais e o conhecimento melhor do corpo e das emoções são benefícios da masturbação, ignorados ainda por muitos.
Mas é importante deixar claro que a masturbação não é coisa só de adolescentes! Ela também é muito praticada na idade adulta, apesar de pouco admitida, inclusive por pessoas que possuem companheiros sexuais. Além de ser uma fonte a mais de prazer para si, pode ser também prazeroso realizá-la nas trocas sexuais com o parceiro.
Ao contrário do que se diz há alguns milênios, não há porque temer a masturbação. Ela só deve ser vista de forma preocupante quando praticada com objetos que ofereçam risco de lesar fisicamente a pessoa, num ambiente inadequado, ou de maneira compulsiva. Neste último caso, a pessoa deixa de fazer outras atividades ou de ter relacionamentos para se dedicar exclusivamente ao sexo solitário. O que merece tratamento não é a masturbação, mas o motivo que leva a pessoa a repeti-la compulsivamente. Ela é a conseqüência, não a causa do problema, alertando, muitas vezes, para necessidades que estão sendo negligenciadas.
Fora dessas circunstâncias, a masturbação é um ato tão natural como é a relação sexual. Tocar a si mesmo e sentir prazer com este toque é também uma forma de amar e cuidar de si. Portanto, os adolescentes podem (e devem!) aprender que a masturbação faz parte da vida.