Brasília - Cidade do Verde e dos Jardins

Leon Frejda Szklarowsky

(Sub-Procurador Geral da Fazenda Nacional Aposentado, Ex-Procurador do Estado de São Paulo e Membro da Comissão de Informática do IBAP)

 

A todo instante e com prosaica insistência, algumas pessoas, felizmente poucas, até com a melhor das intenções, põe-se a defender a estapafúrdia tese da volta de Brasília a apêndice da União, sob o imprestável argumento de que esta lucraria com a supressão do pesado encargo que representa, pretendendo irracionalmente confiná-la ao Plano Piloto.

Nem seus destemidos construtores e planejadores chegaram a tanto. Se válida sua teoria, a maioria dos Estados brasileiros, deveria deixar de sê-lo, por estarem falidos e, portanto, sem condições de sobrevivência, o que esbarra, de pronto, na quebra do princípio federativo, tão caro a todos nós.

O Distrito Federal, não é mero reboque, distrito ou município, mas uma unidade federativa, que compõe a Federação, e conquistou sua plena autonomia com a Constituição de 88. É um Estado – Município, de fato e de direito.

É um grande erro comparar-se esta cidade - monumento, incrustada, no cerrado, a tantas outras, como Otawa, Pretória, Islamabad ou Camberra, pois ela não foi criada, pelo maior dos estadistas que o País produziu, JUSCELINO, apenas como entidade político – administrativa ou sacrossanto museu, senão e primordialmente como polo de desenvolvimento e interiorização do Brasil, com avenidas amplas, quadras arborizadas, verdadeiros jardins paradisíacos e milhares de metros de área verde, que poucas cidades possuem, com ótima qualidade de vida. E tem tudo que as melhores cidades tem. Não vamos por tudo a perder por mero capricho de alguns poucos.

Há que se notar que o bem mais precioso do Universo é o ser humano, daí por que a cidade a ele deve adaptar-se e não o homem a ela. É uma quimera acorrentar-se a cidade a limites predeterminados. Planejar é coisa bem distinta da idéia de aprisioná-la em limites medievais, muralhas ou guetos, felizmente, superados e sepultados pelas cinzas do passado e da história.

O ser humano deve encontrar na cidade seu aconchego e não seu algoz.